Quando a vida te prega partidas...

19:44


Escrevi, apaguei, escrevi, apaguei e tornei a escrever... Nunca expus muito a minha pessoal aqui no blog, no entanto, porque sei que escrever me faz bem e porque mantenho uma relação muito especial com quem me lê diariamente aqui vai...

Os meus pais abandonaram-me quando tinha 10 anos, à porta da escola, daí para cá passaram 20 anos. Muita coisa mudou, menos as recordações que ainda hoje se mantêm na minha cabeça. Com isso, fui crescendo com a dificuldade em dormir, com os pesadelos que me perseguem noite após noite, com as oscilações de humor, com a depressão crónica, com a frieza que me caracteriza, etc... Trouxe comigo dois irmãos e tentei esquecer e matar o passado, mas eis que recentemente o passado está a virar presente.

Ano passado por volta do Natal soube da existência de mais 2 irmãos, o receio era muito, mas a curiosidade venceu. As perguntas, os porquês, as diferenças e o pouco contacto. As memórias voltaram e tentado gerir as coisas da melhor forma.

A semana passada estive dois dias de férias, na quinta feira recebi um telefonema que me deixou completamente desnorteada. Tenho mais 2 irmãos que foram adoptados e pretendem conhecer-nos. Ainda estou a ingerir esta informação toda e a organizar a minha cabeça. Sinto-me num turbilhão de emoções que fogem ao meu controlo. Sexta-feira vou conhecê-los pessoalmente, falar de onde vieram, o que se passou, como mudamos ao longo destes vinte anos,  etc... Uma panóplia de questões surgem. Não sei se algum dia iremos ter uma relação normal ou afectuosa, aquela relação que sinto pelos meus 2 irmãos que sempre estiveram na minha vida. A união, as brincadeiras, a entre ajuda... mas não custa tentar certo?

Desde que abordo a questão abertamente, que lido muito melhor com a situação, que superei e cicatrizei as feridas que a vida me deixou. Tento levar a vida com um sorriso, brincadeira e muito trabalho. Aprendi que nada nesta vida me chega de mão beijada, custa para carago, mas chego lá. Sempre me fez confusão pessoas que se desfazem ao mínimo sopro, que vivem de drama, só demonstra fraqueza e isso no meu dicionário praticamente não existe. Detesto o sentimento de pena, do ser coitadinho que cresce à pala da sua desgraça...

Não aprofundei muito a minha história, mas sinto-me mais leve, como se estivesse a desabafar com amigas. Não estranhem se me afastar um pouco das redes sociais, mas todos nós precisamos de tempo por vezes...

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